“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.”
Na próxima quinta-feira, dia 28 de maio de 2026, será lançado nos cinemas brasileiros o filme “A revolução dos bichos”, uma adaptação atualizada do filme homônimo, lançado pela primeira vez no ano de 1945, por George Orwell. A obra literária é considerada uma das maiores sátiras políticas lançadas, trazendo referências de acontecimentos ocorridos durante a Revolução Russa, utilizando os animais dentro de uma fazenda, como representações das manifestações tidas, hoje, como utópicas, realizadas em 1917, que foram corrompidas pelo poder dado a criaturas negativamente ambiciosas.

A história, tanto no livro quanto no filme de 2026, tem início quando os animais, insatisfeitos com os maus-tratos do fazendeiro Sr. Jones, e a iminência de serem violentados por outros humanos, organizam uma revolução a fim de conquistar liberdade e igualdade. Com esse movimento, eles expulsam os humanos da fazenda e passam a administrar o local por si próprios.
No início, essa nova dinâmica parece dar certo, com os animais trabalhando juntos com objetivo de manter a liberdade e igualdade entre eles. Até que alguns poucos animais começam a achar difícil manter aquela harmonia e, incitados pelo porco Napoleão, passam a alterar as regras-base daquela comunidade, a modificar combinados antes acordados, consequentemente concentrando o poder de toda a fazenda em um só lugar: na liderança dos porcos.
Por meio dessa narrativa, são trazidas à tona reflexões sobre os mecanismos de manipulação e poder nas sociedades; corrupção e autoritarismos que levam à reais ditaduras.

Embora traga um tom mais sinistro e tenso dentre as adaptações (em formato animação) já realizadas, a versão de “A Revolução dos Bichos”, dirigida por Andy Serkis, ainda é considerada por algumas pessoas como uma obra leve. Isso porque apesar de trazer uma narrativa muito próxima da de Orwell, Serkis faz algumas mudanças que dão um ar mais esperançoso para quem está assistindo, diferente do autor, que escancara o caos moral da humanidade, até o fim. Essa mudança de tom é sentida sobretudo no encerramento do longa-metragem.
Agora em 2026, acompanharemos a corrupção de uma revolução influenciada principalmente por aparatos tecnológicos, com debates (e fontes de cobiça) mais próximos da atualidade, apesar de o livro, mesmo tendo sido lançado há tanto tempo, ainda se manter atual, debatendo sobre desinformação, manipulação e controle de poder e direitos.

E tomando como base a maioria das pessoas que me leem, quero chamar atenção:
Para o público leitor: mesmo considerando as mudanças realizadas, digo que vale muitíssimo a pena assistir à adaptação cinematográfica. Dialogando com temas atuais, o filme mantem também a conexão com as críticas trazidas por Orwell, sem deixar de levantar debates necessários (inclusive, com momentos emocionantes).
Para o público educador: pensem que podem utilizar o filme para incitar a leitura do livro, além de puxar ao centro das aulas discussões sobre política e poder social (temáticas importantes de serem debatidas, sobretudo tomando como base os cenários políticos no mundo atual).
“A Revolução dos Bichos” pode ser assistido nos cinemas brasileiros a partir do dia 28 de maio de 2025, e você pode encontrar o livro em livrarias presenciais e online, de maneira muito fácil, por se tratar de um clássico literário.
FICHA TÉCNICA
Título: Animal Farm / A Revolução dos Bichos
Gênero: Animação; Fábula Sátira
Direção: Andy Serkis
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 96 minutos
Classificação: +10
Data de lançamento no Brasil: 28 de maio de 2026, nos cinemas
Sinopse: Um movimento pela igualdade é sistematicamente corrompido. À medida que os porcos consolidam o controle, a verdade é apagada e a fazenda se transforma em uma ditadura implacável.



Respostas de 4
Maravilhosa análise
Obrigada ♥♥
Fiquei com vontade de assistir! Ja li o livro há muitos anos e vai massa ver essa releitura para os cinemas justo nesse ano de eleições no Brasil.
Verdade, Gabi! Eu pensei muito que ter esse filme bem em ano de eleição é muito positivo. Sobretudo por ser uma animação e isso facilitar a conversa com jovens que já votam.